segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ironia

Caminhava eu, sexta-feira a noite, pelas ruas do centro de Porto Alegre, quando paro para atravessar em um semáforo, ao que escuto a conversa de dois senhores dentro de um bar. Filosofavam, claramente alcoolizados. Ao que o primeiro, em meio aos devaneios filosóficos fala:
- Cara, tem coisa mais chata que bêbado?
Ao que o outro responde, com a voz arrastada pelo efeito do álcool.
- Pior que não. Se tivesse algum por aqui, eu cag*** a pau.
E o primeiro afirma:
- E eu ajudava.
Comecei a rir, e fui até o hotel rindo. Quando cheguei, o recepcionista pediu do que eu estava rindo, e tive que responder:
- De mim mesmo.
Ele sorriu meio que sem entender, e me entregou a chave. E fui para o quarto pensando quantas vezes não consigo me enchergar, mesmo sem álcool, e mesmo na frente do espelho.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Oportunidades

Pessoas clamam por oportunidades. O que mais se houve falar é que faltam oportunidades. Se eu fosse Deus, daria oportunidade a todos. Garanto que a maioria não aproveitaria, e voltaria a clamar eternamente por algo que teve, perdeu, e se tivesse denovo, novamente não daria valor.
O pior cego não é o que não quer ver, mas sim o que quer ver, ganha os óculos e não usa.

Minha indignação me fez voltar

Minha indignação com as pessoas me fez voltar. Havia parado de escrever pois achava inútil. O retorno era pouco. Algumas poucas pessoas (felizmente pessoas que estão acima das minhas críticas pela sua inteligência e cultura) liam e me davam algum retorno. Porém, continuarei a escrever, pois pelo menos a saúde do meu fígado melhora a cada linha que escrevo.
Veja um exemplo de pequenez das pessoas. Parece algo simples, mas são atitudes assim que fazem o mundo um pouquinho pior a cada dia.
Conheço uma pessoa que se dedica integralmente ao trabalho. Essa pessoa faz de tudo para que o seu patrão economize dinheiro, aumente lucros, esteja confortável no seu local de trabalho. Eu sei o que esforça-se essa pessoa para desempenhar um trabalho, que na minha opinião é perfeito. Eu sei, como empresário, como é difícil achar um colaborador, alguém que vista a camiseta, e se importe realmente com a empresa.
Pois bem, legalmente essa pessoa tem direito a 30 dias de férias anuais. Correto, justo. Essa pessoa, importando-se com a empresa na qual trabalha, sabendo que é díficil ficar fora tanto tempo, comentou que precisaria de 15 dias de férias(isso após 2 anos de trabalho ininterrupto, a não ser por fériados). Apenas 15 dias para poder fazer uma viagem. 15 dias de descanço da labuta diária. 15 dias para lembrar que é um ser humano, que pode divertir-se, que pode conhecer lugares diferentes, pessoas diferentes, comer coisas diferentes. 15 dias para realmente ver se existe um mundo lá fora.
Após toda essa dedicação a resposta foi um sim, mas pedindo que desse um jeito de reduzir esse número de dias e que tem que coincidir com o feriado de carnaval.
Ora, é fácil para o patrão, alguém que ganha uma fortuna por mês, e paga uma miséria de soldo para ela, dizer para viajar no carnaval. Sim, ele viaja quando quer, para o lugar que quer. O seu dinheiro ganho honestamente (isso pode ser contestado) dá para viajar e ficar onde quiser na época que quiser.
No carnaval sabemos que tudo é mais caro. Hospedagem, alimentação. As estradas estão cheias. Não para quem tem dinheiro para pegar um avião e ir para onde quiser, mas para quem quer fazer 2.000km de moto é um dificultador.
Mas, a lei diz que o funcionário tem direito a 30 dias, mas não diz quando, então, esse patrão, defendido pela lei, usa dela para dar de ombros a quem o auxilia diariamente. E acha-se justo, afinal está sendo bom em dar alguns dias de descanço.
Não lembra-se ele nesse momento de tudo que a funcionária faz além de suas obrigações funcionais. Não lembra-se que assina a carteira com valor abaixo do vencimento real, para pagar menos imposto (Sim, uma pessoa que ganha R$50.000,00 por mês preocupa-se em sonegar 50 reais de imposto mensais).
Pessoas assim em dão nojo. Tenho asco desse tipo de ser humano. Pessoas assim é que fazem do nosso mundo um inferno cada vez mais quente.

Marco Antonio Oselame

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Adeus Jacko!!!

Dificilmente me deixo abater por causa de morte. Acho que é um processo natural, nascemos, crescemos e morremos. Prefiro me preocupar com os vivos, já que estes realmente posso ser útil.
Mas hoje, escutando o Pretinho Básico da rádio Atlântida, ouvi a notícia que supostamente Michael Jackson havia morrido. Começou com uma gozação, piadinha, sem muita atenção. Esse clima foi dando lugar a um silêncio grande. No programa que se seguiu, Alexandre Fetter, que comand o Discorama, disparou apenas músicas do Michael.
Aquilo foi me dando um aperto no peito. Lembro-me, criancinha, assistia os clipes dele. Assisti o seriado Jackson Five. Na época ainda não me dava conta do tamanho fenômeno que era Michael Jackson. Ao escutar as músicas seguidas, comecei a lembrar que sem me dar conta, acompanhei boa parte da carreira de Michael, seu grande sucesso, a coroação de grande Rei do Pop, as polêmicas que envolveram sua vida, a decadência como músico, o fim como ser humano.
Jacko nos últimos tempos era um trapo. Sofria de sérios problemas de saúde, tanto física como mental.
Me machucava muito ver Michael no estado que se encontrava, envolvido com polêmicas, doente. Não gostava.
Então, no início desse ano a grande notícia. Michael Jackson voltaria. Ingressos para 50 shows esgotados em 6 horas. Vi que não era único, como eu, uma multidão torcia, pedia, orava pela volta do Gênio. E era um Gênio. Tinha sérios problemas, mas nunca deixou de ser genial. E hoje, essa notícia de sua morte.
Dura, amarga notícia, mas com um pouco de consolo em saber que talvez, se tivesse feito esses shows, pessoas criticariam. Certamente esqueceriamos que era um ser humano tentando se reerguer, e diriamos que já não era mais o mesmo, que já foi melhor, que estava decadente. Salvou-se de nossa injusta vaia.
Foi embora, com nossos aplausos, e a lembrança de que jamais existirá nada com o mesmo significado que ele teve na sua época aurea.
Hoje, com certeza, o mundo perdeu um de seus maiores artistas. Hoje, o mundo fica um pouco mais silencioso.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Revolta

Tenho dois gatos em casa. Minha vizinha do apartamento de cima tinha uma cadela, que aprendemos a gostar devido aos anos de convivência. Tinhamos ela quase como nossa. Quando a vizinha viajava, deixava conosco a responsabilidade de alimentá-la e limpar sua sujeira. Era muito bem cuidada, limpa, bem alimentada, bem tratada, não latia a noite, era educada. Não incomodava ninguém.
Tinha, pois ela morreu essa noite. "Provável envenenamento". Provável pois não posso acusar ninguém, logo, ela mesmo pode ter cometido suicídio, envenenando-se. Acredito que não o faria, pois como disse, era bem cuidada e com certeza não tinha depressão. E vivia dentro das grades do nosso terreno, não podendo sair para comprar o veneno. Mas isso não foi o que mais me revoltou. Um dos meus gatos, ontem, por incrível coincidência, foi espancado. Quebraram-lhe o maxilar, pelo menos metade dos dentes. Hoje ele passou por uma cirurgia de urgência, para tentar, veja bem, tentar reconstituir a boca do bichinho. Também não incomoda ninguém. Tem comida e água dentro de casa. Faz suas necessidades todas na caixa de areia na área de serviço da minha casa. Dorme dentro de casa. De tarde dá uma voltinha com sua irmã, que também é minha, mas quando chego em casa as 18hs, eles sempre vem me receber com seus miados, e sua alegria.
Se isso não fosse bastante, quando vi a situação do meu gato, ontem as 22hs, quando cheguei da aula, tentei entrar em contato com no mínimo 10 veterinários. Sem exagero, foi bem mais que isso. Quase todos com seus celulares desligados. Conseguimos falar com 3. O primeiro nos cobraria R$ 100,00 reais para receber o gato, mas teriamos que pagar adiantado. Eu disse pra ele que não teria como arranjar o dinheiro esse horário da noite, já que os caixas eletrônicos aqui na cidade só funcionam até as 20hs, logo, ele disse que não poderia atender. Outro não nos deu muita bola, dizendo que não tinha como atender. E a última, até nos deu um pouco de atenção, mas repentinamente a ligação caiu, e não conseguimos mais falar com ela.
Então lembrei de um grande amigo meu, pessoa excepcional, ser humano, médico veterinário, que não trabalha aqui na cidade, mas que por acaso, estava na cidade nessa noite. Liguei, e ele prontamente se dispos a vir olhar meu gato. Atendeu ele sem luvas e sem aparelhagem, pois não estava com seus materiais, mesmo assim colocou a mão no sangue e diagnosticou as fraturas multiplas na boca do gato. Medicou o gato com alguns remédios pra dor que eu tinha em casa, para minha dor no citático e me recomendou uma veterinária para eu levar o gato hoje de manhã.
Infelizmente minha vizinha não teve a mesma sorte. A cadela dela faleceu porque ela não conseguiu um veterinário para atender a cadela.
Isso me causou muita revolta e me fez procurar o juramento dos veterinários que segue abaixo.

JURAMENTO DO MÉDICO VETERINÁRIO:

Sob a proteção de Deus PROMETO que, no exercício da Medicina Veterinária, cumprirei os dispositivos legais e normativos, com especial atenção ao Código de Ética, sempre buscando uma harmonização perfeita entre ciência e arte, para tanto aplicando os conhecimentos científicos e técnicos em benefício da prevenção e cura de doenças animais, tendo como objetivo o Homem.

E prometo tudo isso fazer, com o máximo respeito à ordem pública e aos bons costumes, mantendo o mais estrito segredo profissional das informações de qualquer ordem, que, como profissional tenha eu visto, ouvido ou lido, em qualquer circunstância em que esteja exercendo a profissão. Assim o prometo.


É revoltante que um profissional da importância do médico veterinário, que deveria cuidar da vida, e amar os bichinhos, e fazer de tudo para salvar a vida dos nossos mascotes.
Sei que existem coisas mais importantes. Crianças morrendo de fome, violência crescente, falta de presídios, falta de vergonha na cara de nossos governantes... tenho consciência disso. Mas esses fatos de grande importância, não podem justificar a falta de respeito e a negligência desses ditos profissionais veterinários, que certamente não merecem a honra de um cargo tão importante.
O mundo só vai melhorar apartir do momento em que cada um der o melhor de si em tudo o que faz. Esse fato ocorrido, só me faz perder cada vez mais a fé no mundo, afinal, é nesses pequenos atos que começamos a mudar a nossa sociedade.
Espero que essa minha revolta chegue aos ouvidos de alguém que possa tomar alguma atitude, nem que a atitude seja cobrar do profissional que cuida do seu bichinho de estimação, que ele faça o melhor na sua profissão.
Esse protesto está sendo endereçado a diversas entidades, esperando, sinceramente, alguma atitude.

Marco A. Oselame

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Certo ou Errado?

O mundo só vai começar a melhorar quando as pessoas entenderem que para alguém estar certo, não necessariamente os outros tem que estar errados. (Marco A. Oselame)

domingo, 26 de abril de 2009

Hipocrisia

Depois de algum tempo estudando e pensando, chego a conclusão que a hipocrisia é a essência de qualquer religião. Sem a hipocrisia, a religião acaba, vira espiritualidade.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O que você faria???

O que você faria se amanhã fosse seu último dia de vida??? Parece ser uma pergunta simples, mas não é. Se sua resposta for: "Jogaria tudo pro alto, chutaria o balde, e faria tudo o que sempre sonhei em fazer", sinto muito, mas talvez você deva repensar a sua vida.
A resposta certa é, "Faria exatamente o que estou fazendo hoje".
Normalmente imaginamos a felicidade longe, em excessos, em farras, em orgias... eu, aos poucos, e digo aos poucos mesmo, venho me dando conta que a satisfação está em fazer o que faço, porque simplesmente busco gostar do que eu faço.
Ora, penso comigo, se tenho que fazer, porque não sentir prazer em fazê-lo... e não pensem que é fácil. Às vezes (leia-se quase sempre), fico lamentando, choramingando, resmungando, praguejando, pelo que sou, pelo que tenho que fazer.
Mas hoje, mais do que nunca, se me perguntassem o que eu faria se hoje fosse meu último dia, eu responderia: "Faria exatamente o que estou fazendo".

Marco A. Oselame

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Falência Social

Nos últimos tempos, venho observando, que cada vez mais caminhamos para algo complicado. Nossa sociedade faliu. Todas as instituições estão falidas.
As instituições democráticas, lutam para manter o poder utilizando o populismo mais baixo já utilizado, muito pior do que o comunismo de Stálin. A política é uma farsa, uma piada, diga-se de passagem de muito mal gosto. As religiões cada vez mais afundadas em escânda-los, ao invés de unirem, lutam entre si com textos muitas vezes preconceituosos e que incitam a não aceitação do diferente. A economia um caos, causando milhares de marginalizados graças a ganância de alguns, que continuam cada vez mais ricos, mesmo após a crise.
A cultura, desapareceu. Hoje falasse de cultura alternativa, sub-cultura, cultura disso, cultura daquilo. Na verdade, desistimos de lutar por um povo culto, e resolvemos aceitar a falta de cultura como cultura. "Olha que pixação bonita meu filho. Que técnica será que utilizaram? Tinta sobre tijolo, ou spray sobre vidraças? Hahahahaha, olhas só que coisa antiga, aquela mulher aí ó... como chamavam ela... MONAPIZZA, MONAISSA, MONA.... bom, mona alguma coisa, não importa mesmo." Ao invés de levarmos cultura para a favela, aderimos a sub-cultura. Por favor entendam, não estou criticando obras sociais, ongs, ou o que quer que seja que luta por uma inserção social do povo que sofre por causa de preconceitos, falta de oportunidades.. apenas estou comentando como seria melhor se pudessemos levar a verdadeira arte para eles...
Aos poucos os movimentos sociais vão acabando. Perdendo força. Ninguém mais luta por nada, salvo algumas excessões que são fortemente caladas pela grande massa. Surgem os movimentos radicais, esses sim, cada vez mais fortes e extremistas. Foi-se o tempo que sindicatos lutavam pelos direitos dos trabalhadores. Hoje, lutam pelos seus próprios interesses, que muitas vezes escondem corporações e interesses de quem detem o poder.
Tiraram de nós a filosofia das escolas, hoje matéria desconhecida. Tiraram religião, que embora eu seja contra a instituição religiosa, ajuda e muito a alicerçar quem não sabe onde pisar. E por último, nos tiraram a educação.
Escrevo esse texto, um tanto longo, pelos últimos fatos acontecidos nas escolas. A guerra entre professores e alunos está estabelecida. Perdi a última esperança da sociedade se reerguer. As duas grandes instituições que tinham algum poder de melhorar o mundo eram a família e a escola. Eram, pois também entregaram-se.
Educação vem de casa. Casa essa que muitas vezes abriga pessoas, não famílias. Famílias onde não há amor, onde não há o respeito, a admiração. Famílias desestruturadas, que jogam seus filhos, esses sim, até então inocentes, na sociedade, sem a menor base do que são valores. Família sem pai, sem mãe, onde filhos mandam, onde não há uma hierarquia... e por favor não venham com o papinho de pais e filhos tem que ser amigos. Pais e filhos tem que ser pais e filhos. Amigo é outra coisa. Pai tem que mandar e filho tem que obedecer, claro, que essa autoridade deve ser imposta com carinho, amor, respeito, diálogo... mas essa figura social deve ficar bem clara. Cada um tem seu papel na primeira sociedade, para quando forem postos no mundo, cada um saiba o seu lugar na grande sociedade.
Quanto a instituição de ensino, é onde passamos os primeiros e principais anos de nossa vida social. É lá que aprendemos a conviver, a respeitar as diferenças, a aceitar o outro como ele é, a defender nossos direitos, a cumprir nossas obrigações. Isso, torna a escola tão importante quanto a família na formação da sociedade.
Infelizmente o que vemos hoje são professores despreparados, mal remunerados, com um nível de cultura que não condiz com o cargo que ocupam... isso tudo gera uma grande desvalorização do cargo, e de sua representação na sociedade. O professor não é mais aquela figura em que nos espelhariamos no futuro, mesmo que só percebecemos isso anos depois...
Esse despreparo acaba gerando professores agressivos, que não conseguem lidar bem com situações tensas, que não tem domínio sobre a matéria e sobre os alunos, professores que muitas vezes viram professores por não ter outra opção (e para ser professor tem que ter vocação).
É fato, a tendência é chegarmos logo logo ao fundo do poço. A falência total da sociedade. A única esperança que ainda tenho é que quando chegarmos no fundo, ainda tenhamos força para nos impulsionarmos de volta antes de nos afogarmos em nossa própria ignorância coletiva...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Procura-se a identidade do Grêmio

Texto escrito por mim e enviado por e-mail a Wianey Carlet, que foi publicado em seu blog dia 16 de março de 2009... segue o link....

Procura-se a identidade do Grêmio.