sábado, 16 de janeiro de 2010

Não somos um país sério.

Charles de Gaulle certa feita, disse: "O Brasil não é um país sério." Foi um rebuliço. Nos sentimos ofendidos, assim como os hipócritas se ofendem quando lhes são apontados os defeitos.
Não somos um país sério. Não podemos ser. Não, não somos. Nossos governantes não o são. Nossos empresários não o são. Nem nossos sacerdotes são.
Fazemos piada o tempo inteiro. A última, de muito mal gosto, o aumento de 3,9% na gasolina. Sim, quando reclamamos que o dólar caiu e o preço do combustível não, recebemos a desculpa de que somos auto-suficientes em petróleo, logo, nosso combustível não é regulado pelo mercado externo.
Então pergunto, qual o motivo desse aumento? Afinal, a petrobrás ganhou rios de dinheiro no último ano, é a oitava maior empresa do mundo. Descobriram o tal do pré-sal, que iria irrigar as veias de nosso trânsito e de nossos cofres. Fomos menos atingidos pela crise do que a maioria dos países. A Petrobrás é a empresa q mais cresce no Brasil, e a segunda que mais fatura, perdendo apenas para o Banco do Brasil.
Então, por que esse aumento?
A resposta é simples. Porque não somos um país sério. Se isso acontecesse em qualquer outro país haveria protestos em praça pública, a cabeça dos governantes seria pedida em praça pública, numa bandeja, e eles teriam que recuar, nem que fosse por medo de guerra civil.
Mas aqui, não somos sérios. Somos piadistas. Tudo vira piada. E enquanto fazemos piada com os nossos governantes, ele é que riem da nossa cara.
Enquanto isso o Ilmo. Sr. Luiz Inácio só aumenta seu índice de aceitação e prepara a sua seguidora, que até plástica tem feito para parecer mais simpática.
E nós, seguimos alienados, aplaudindo o Lulinha paz e amor, afinal, ele é como nós, do povo, veio de baixo, ele é o cara. Afinal, ele não é sério, e como não somos um país sério, queremos ter governantes q são uma piada. De muito mal gosto.
E já parafraseando De Gaulle, "Os homens não são importantes. O que conta é quem os comanda."

Mais civilizados????

Mais uma vez uma torcida de futebol da Itália é punida por racismo. A torcida da Juventus foi punida em 1 jogo, por manifestações racistas. Isso é o cúmulo.
Venho, desde que me conheço por gente, ouvindo manifestações das pessoas que voltam da europa, ou dos EUA, que são povos infinitamente mais civilizados que nós, brasileiros, estendendo as todos os latinos.
Lá não se joga papel no chão, se respeita os sinais de trânsito, tudo é limpo e organizado. Lá o sistema público funciona, a saúde é ótima, educação melhor ainda. Lá as pessoas se respeitam, e os crimes são punidos.
Sempre achei isso interessante, justificando pela cultura maior, educação mais forte, valores mais desenvolvidos.
Só tem um problema. As pessoas que viajam para a europa ficam em hotéis bons, bairros normalmente mais nobres, lugares turísticos. Normalmente que vai aos EUA não vai visitar as periferias. Os bairros dos latinos, dos negros, dos estrangeiros sem green card. Quem vai a Europa não vai visitar os bairros pobres de Paris, ou a periferia de Londres. Os turistas vão ao Louvre, vão conhecer palácios, museus, teatros.
Normalmente essas pessoas não se interessam em ler o que acontece em cada país... Greves, atos de vandalismo, racismo são crescentes na europa. Os europeus, em sua maioria ainda não conseguiram libertar-se do preconceito ariano, preconceito esse que faz muitas vítimas nesses países. Preconceito esse que continua criando grupos de marginais, que escondidos atrás de idéias vazias, matam, criam planos, enfrentam-se.
Europa que até 1989 tinha um muro que separava um país. Europa, que se vê sempre em estado de alerta por causa de guerras que a rodeiam. Os EUA então, nem se fala. Sempre metido em guerras, com desculpas humanitárias. Tem síndrome de Superman e acha que tem que defender o mundo de suas paranóias e a esquisofrenia de seu povo, sempre achando que tem alguém querendo destruí-los.
Aí, penso cá no nosso Brasilzão, do nosso povo sem cultura, nossa gente desdentada. Somos ignorantes, praticamente bárbaros. Não temos cultura, não temos o hábito de irmos a museus, teatros. Temos pouco acesso a eles também, normalmente mal administrados, como todo nosso setor público. Nossas ruas são suja, esburacadas, e nosso povo não sabe nem falar a própria língua com correção.
Só que no nosso país as pessoas são assassinadas pela fome, pela droga, pela miséria do povo, e não por sua cor, credo. Não quero assim justificar os crimes aqui cometidos, ou absolver os criminosos, mas prefiro que me matem pelo meu dinheiro do que pela minha cor, por ser católico, judeu ou protestante.
Precisamos melhorar sim, muuuuuito, na nossa educação, saúde, infraestrutura. Precisamos dar dignidade as pessoas. E espero e acredito que chegaremos lá, um dia quem sabe. Porque no dia que tivermos oportunidade de sermos mais cultos, mais bem alimentados, mais saudáveis, seremos a nação mais feliz do mundo. Por quê?
Porque mesmo sem cultura, sem acesso a saúde, educação, mesmo sem dentes, sorrimos. Tratamos bem qualquer pessoa, sendo ela negra, branca, parda, mulata, mameluca. Convivemos em harmonia. Embora, ainda existam pessoas que insistam em ter preconceitos, aqui estamos centenas de anos a frente dos europeus no quesito humanidade. E fico feliz, em morar num país onde negros, brancos, índios, gays, lésbicas, católicos, protestantes, judeus, muçulmanos, homens, mulheres, crianças, idosos, possam confraternizar, ao contrário do mundo "civilizado".
E que cada vez mais o Brasil possa ser porto seguro das diferenças, e que o RS, tão europeu, possa também, evoluir junto com o Brasil nesse sentido. Afinal, aqui no RS, é o único lugar do Brasil onde Brancos, Negros e Índios lutaram juntos, por um ideal, e embora existam e sempre vão existir idotas acéfalos que teimam em ser preconceituosos, possamos, nós, os não preconceituosos, sermos maioria, e abafarmos esses malucos.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo

Caros amigos!

Está chegando o final do ano. Amanhã, estaremos contando os segundos para deixarmos o ano de 2009 e pisarmos fortes no ano de 2010. Todos sabem que sou prático, realista. Não espero de 2010 mais do que ele pode me dar. E o que 2010 pode nos dar a mais que 2009? Quem descobrir esse segredo, descobrirá um caminho para evoluir, melhorar.
2010 nos dará Novas Oportunidades. Apenas isso, nada mais.
Teremos em 2010 a oportunidade de aproveitarmos melhor as oportunidades que tivemos em 2009 e não aproveitamos. Oportunidade de sermos melhores pais, filhos, maridos, esposas, vizinhos, amigos, colegas. Oportunidade essa que se disperdiçada, talvez não venha novamente e 2011.
Talvez em 2011 alguns de nossos amigos não estejam mais aqui. Talvez nossos filhos saiam de casa por vários motivos bons e ruins, e não tenhamos aproveitado para curtí-los. Nossos pais podem nos deixar sem termos aproveitado a oportunidade de nos reconciliarmos de nossos erros, ou de simplesmente tê-los abraçado forte.
Em 2011 ninguém nos garante que nossos amigos não se afastarão, como tantas vezes nos afastamos de nossos amigos que seriam para a vida toda. Oportunidade essa em 2011 de fazermos novos amigos, não muitos, mas 1 ou 2 que sejam sinceros e leais.
Não sei se em 2011 teremos a oportunidade de tratar bem o colega de trabalho, de dar bom dia para um vizinho. Não sei se em 2011 ainda terei condição de ser um ser humano. Já perdi essa capacidade uma vez, e é horrível.
Por isso 2010 é tão importante. Por isso 2010 terá os mesmos problemas, alguns mais, outros menos, que em 2009. Não iremos mudar o mundo. Não iremos acabar com a fome, com a prostituição infantil, ou com a cara amarrada do chefe. Tudo prosseguirá como sempre, apenas as oportunidades surgirão.
Por isso, para 2010, não lhes desejo nada mais do que coragem para correr atrás de sonhos, e força para agarrar toda a oportunidade que lhe for dada.
Em 2010 sejamos ótimos homens e mulheres, e que venham os problemas, as dores, as decepções, a saudade, as ausências. Mas que venham contudo, porque estarei aqui, esperando por elas, de coração aberto, pois sei que hoje tenho a oportunidade de construir o melhor dia da minha vida. E não posso deixar para amanhã. Nem para 2011. Que venha 2010.

Feliz Ano Novo a todos.

Marco

Pastor sem rebanho

Não quero que me sigam. Não quero que concordem comigo. Apenas quero que vejam o que está diante dos olhos de cada um com clareza, e não envolta num universo de sonhos e crenças, cheia de medos e desejos contidos por mandamentos e textos. Não, jamais dobrarei meus joelhos diante de papel e manipulação. Sou um pastor, mas não me permito ter rebanho. Quero que todos que vierem a mim, virem ovelhas livres. Se não tiverem condições, que virem ovelhas de outros, não minhas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal, Natal, Natal

Já gostei mais do natal... não que não goste hoje, mas enxergo-o de maneira diferente do que a 15 anos atrás... A 15, talvez 20 anos atrás, o natal simplesmente chegava. Reuniamos a família, festejávamos, ganhavamos presentes, fingiamos que ainda acreditávamos em papai noel.
Depois que me tornei adulto, o natal começou a perder um pouco do sentido. Falamos em tempos de paz, em que devemos nos abraçar, em que o espírito natalino nos torna pessoas melhores, mais humanas, amigas, honestas... mandamos cartões desejando boas festas aos próximos, e até aos não tão próximos... Vemos filmes de Jesus, de papai noel, de milagres, de anjos...
Então, tomado pelo maravilhoso espírito natalino, resolvemos sair as ruas. Então o espírito da realidade, o espírito de porco toma conta.
Logo, você pensa que é páscoa, pela via crucis a ser feita. E a via crucis hoje tem outro nome, trânsito. De cara, engarrafamento. Se você quer estacionar, não tem vaga, se quer sair, ninguém dá espaço. E o tal de espírito de solidariedade? Ah, esqueci, era coisa do filme que assistimos na noite anterior. Pessoas acotovelam-se nos corredores dos supermercados. Quase se matam para conseguir o melhor peru, chester, ou o que for. Depois vão a igreja escutar o padre falando sobre dar a tunica, se pedirem o manto. E resolver ofertar o melhor peru para a pessoa do lado? Nem pensar, e o que meus amigos e familiares vão falar se o meu peru não for o melhor?
Pensa o malandro, vou ficar perto da velhinha, vai ser fácil pegar o melhor peru. Pobre engano. Até a pobre velhinha, indefesa durante o ano, torna-se um leão na luta pela melhor ceia.
E os presentes?! Não esqueçamos dos presentes, afinal, natal não é natal sem presentes, afinal, comemora-se a vinda do papai noel (era isso mesmo? bom acho que era). Aquele bom velhinho com roupas de veludo e lã, puxado por um trenó de neve, por renas. Tipico traje brasuca, para o calor de 32 graus que fez hoje.
Ah, esqueci! Há sempre o momento redenção dos pecados, onde doamos algo velho, ou barato (sim, porque se for bom e caro, não sou trouxa de dar para os outros) para uma criancinha necessitada. O resto do ano ela que se lixe, mas no natal, ela tem que ser feliz e eu tenho que me redimir dos meus pecados. Deus tá olhando, logo, faço uma doação, e um sinal da cruz depois, que é pra ter certeza que Deus não vai esquecer que doei. Mas claro, não podemos esquecer o aniversariante do dia. Jesus. Sim, aquele dos pastores, que nasceu na manjedoura(ou será mangedoura, nunca sei), com a tal da estrela, os reis, os anjos. O salvador. Que veio ao mundo pregar o fim da hipocrisia (afinal, se resolvermos realmente entender o que Jesus pregou, iremos descobrir que o que ele mais fez foi pregar contra a hipocrisia). Legal, esse cara era bom. Se todos fossemos como ele, o mundo seria melhor. Se esse filho da p*** que tá com o carro parado na minha frente andasse, o mundo seria melhor. Aliás, se esse cara não existisse o mundo seria melhor. Aliás, se esse monte de gente não existisse o mundo seria melhor.
E é assim, que ano após ano, tenho visto o natal. Uma época fantástica em que as pessoas se tornam melhores, e que o espírito de natal reina, trazendo um ano novo com muitas realizações de sonhos (IPTU, IPVA, IRPF, IRPJ...........). E certamente, 2010 será muito melhor que 2009, até porque, se piorar, fica difícil.

Abraços e espero que essa mensagem de natal não seja desanimadora, mas sim, ponto de início para uma reflexão do que fazemos com nós mesmos.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Nada mudou

Nada mudou... nada nunca muda.... por mais que pareça que muda, nada muda. Tudo continua exatamente igual, numa inércia que parece incapaz de ser quebrada. Ainda bem, se mudar, teremos q abrir mão, renunciar.
Toda mudança exige renúncia, exige separação, exige dor. A inércia exige apenas paciência, compreensão e preguiça. Talvez por isso não mudamos, pela preguiça.
Somos preguiçosos natos. Somos gatos vadios, dormindo ao sol da primavera. Enquanto os campos florecem, os parques se enchem de alegria, a vida passa arrastando consigo os anos que nos levam a juventude, e continuamos nessa janela, deitados, preguiçosos, olhando as pessoas correndo e tentando se esconder desse mesmo tempo.
Aceitamos com passividade a chegada do verão, o calor que aumenta ainda mais nossa preguiça, que nos deixa moles de vontade. Lentamente, movemos a cabeça apenas para acompanhar pessoas migrando para praias, aglomerando-se nas compras de natal, festas, férias, boates, barzinhos, caminhadas.... ufa... cansamos só de olhar.
O outono prova que a mudança traz dor, e pensamos carinhosamente no nosso tédio. As árvores floridas já estão nuas, tremendo aos primeiros ventos frios. As praças não estão mais tão cheias, e as pessoas murcham, como as flores, e caem, como as folhas. A vida prepara-se para o inverno, e nós simplesmente fechamos o vidro, mas continuamos observando tudo.
E chega o frio. Cortante do inverno. Com lareiras acolhedoras, aquecedores amados, já esquecidos a algum tempo. As pessoas, guardando suas excessões, esperam impacientemente a primavera, e suas flores, seus cheiros, suas cores. E nós continuamos observando.
Por isso somos tão fortes, eu e tu. Pois aceitamos o tempo, não fugimos dele.
Ainda lembro como hoje, suas mãos geladas, a tremedeira e a voz embaralhada. E elas não mudaram. Mesmo com a chegada do verão, continuam geladas, embora a voz não embaralhe e não tremas mais. Mas também não mudei, minhas mãos continuam quentes, prontas para receber as tuas. Por isso continuamos assim, olhando pela janela, juntos, enquanto os outros correm em busca do que está bem diante de seus olhos.
Nem sempre buscamos a felicidade correndo atrás dela. Muitas vezes é necessários sentar e esperar ela passar pela janela.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Viva o sofrimento!

Me solidarizo com os que sofrem. Isso é algo que tenho notado há um bom tempo. Gosto dos que sofrem. Normalmente gênios sofrem. Apenas quem se dá conta da realidade ao seu redor sofre.
Mas veja bem, gosto de quem sofre, mas é forte. O sofrimento dos fracos não me acrescenta. Sofrer quando não se tem força, é normal. Sofrer sendo forte é uma benção.
Também não falo de sofrimentos físicos, nem de ser triste, ou coisa parecida. Mas sim o sofrimento inquietante que não admite a estagnação. Não admite a inércia. O sofrimento de ver o mundo ser tão miserável e não aceitar. Não deveríamos aceitar. Infelizmente somos criados para aceitar, mas não deveríamos. Deveríamos resistir, e resistir é sinônimo de sofrer.
Sofrer é viver. É sentir a vida em sua intensidade. A dor faz sentirmos a vida. Viver dói. O bebê chora quando nasce porque dói. Dói muito nascer. A vida é no sua gênese sofrimento.
Para mim não existe nada mais intenso que a loucura de Nitzsche, que o sofrimento de Kafka, que os horrores vividos por Dostoiévski na prisão. Esse sofrimento transformou-os nos maiores pensadores/escritores da história. Fez com que atingissem uma profundidade quase mortal da própria existência.
O sofrimento pode nos tornar fortes. O sofrer, quando bem aproveitado, nos torna mais resistentes. Só, temos que cuidar, para não nos tornarmos duros. Já dizia Che, "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás." Temos que sofrer com sorriso nos lábios, como o soldado que corre em direção a morte com o sorriso da lembrança da mulher amada. Sofrer sem perder a doçura. Sofrer lutando contra aquilo que nos causa a dor, mesmo estando consciente de que a dor nunca vai acabar.
E morrer, felizes como quem espera os aplausos após a peça da vida acabar.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ironia

Caminhava eu, sexta-feira a noite, pelas ruas do centro de Porto Alegre, quando paro para atravessar em um semáforo, ao que escuto a conversa de dois senhores dentro de um bar. Filosofavam, claramente alcoolizados. Ao que o primeiro, em meio aos devaneios filosóficos fala:
- Cara, tem coisa mais chata que bêbado?
Ao que o outro responde, com a voz arrastada pelo efeito do álcool.
- Pior que não. Se tivesse algum por aqui, eu cag*** a pau.
E o primeiro afirma:
- E eu ajudava.
Comecei a rir, e fui até o hotel rindo. Quando cheguei, o recepcionista pediu do que eu estava rindo, e tive que responder:
- De mim mesmo.
Ele sorriu meio que sem entender, e me entregou a chave. E fui para o quarto pensando quantas vezes não consigo me enchergar, mesmo sem álcool, e mesmo na frente do espelho.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Oportunidades

Pessoas clamam por oportunidades. O que mais se houve falar é que faltam oportunidades. Se eu fosse Deus, daria oportunidade a todos. Garanto que a maioria não aproveitaria, e voltaria a clamar eternamente por algo que teve, perdeu, e se tivesse denovo, novamente não daria valor.
O pior cego não é o que não quer ver, mas sim o que quer ver, ganha os óculos e não usa.

Minha indignação me fez voltar

Minha indignação com as pessoas me fez voltar. Havia parado de escrever pois achava inútil. O retorno era pouco. Algumas poucas pessoas (felizmente pessoas que estão acima das minhas críticas pela sua inteligência e cultura) liam e me davam algum retorno. Porém, continuarei a escrever, pois pelo menos a saúde do meu fígado melhora a cada linha que escrevo.
Veja um exemplo de pequenez das pessoas. Parece algo simples, mas são atitudes assim que fazem o mundo um pouquinho pior a cada dia.
Conheço uma pessoa que se dedica integralmente ao trabalho. Essa pessoa faz de tudo para que o seu patrão economize dinheiro, aumente lucros, esteja confortável no seu local de trabalho. Eu sei o que esforça-se essa pessoa para desempenhar um trabalho, que na minha opinião é perfeito. Eu sei, como empresário, como é difícil achar um colaborador, alguém que vista a camiseta, e se importe realmente com a empresa.
Pois bem, legalmente essa pessoa tem direito a 30 dias de férias anuais. Correto, justo. Essa pessoa, importando-se com a empresa na qual trabalha, sabendo que é díficil ficar fora tanto tempo, comentou que precisaria de 15 dias de férias(isso após 2 anos de trabalho ininterrupto, a não ser por fériados). Apenas 15 dias para poder fazer uma viagem. 15 dias de descanço da labuta diária. 15 dias para lembrar que é um ser humano, que pode divertir-se, que pode conhecer lugares diferentes, pessoas diferentes, comer coisas diferentes. 15 dias para realmente ver se existe um mundo lá fora.
Após toda essa dedicação a resposta foi um sim, mas pedindo que desse um jeito de reduzir esse número de dias e que tem que coincidir com o feriado de carnaval.
Ora, é fácil para o patrão, alguém que ganha uma fortuna por mês, e paga uma miséria de soldo para ela, dizer para viajar no carnaval. Sim, ele viaja quando quer, para o lugar que quer. O seu dinheiro ganho honestamente (isso pode ser contestado) dá para viajar e ficar onde quiser na época que quiser.
No carnaval sabemos que tudo é mais caro. Hospedagem, alimentação. As estradas estão cheias. Não para quem tem dinheiro para pegar um avião e ir para onde quiser, mas para quem quer fazer 2.000km de moto é um dificultador.
Mas, a lei diz que o funcionário tem direito a 30 dias, mas não diz quando, então, esse patrão, defendido pela lei, usa dela para dar de ombros a quem o auxilia diariamente. E acha-se justo, afinal está sendo bom em dar alguns dias de descanço.
Não lembra-se ele nesse momento de tudo que a funcionária faz além de suas obrigações funcionais. Não lembra-se que assina a carteira com valor abaixo do vencimento real, para pagar menos imposto (Sim, uma pessoa que ganha R$50.000,00 por mês preocupa-se em sonegar 50 reais de imposto mensais).
Pessoas assim em dão nojo. Tenho asco desse tipo de ser humano. Pessoas assim é que fazem do nosso mundo um inferno cada vez mais quente.

Marco Antonio Oselame