quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Pastor sem rebanho
Não quero que me sigam. Não quero que concordem comigo. Apenas quero que vejam o que está diante dos olhos de cada um com clareza, e não envolta num universo de sonhos e crenças, cheia de medos e desejos contidos por mandamentos e textos. Não, jamais dobrarei meus joelhos diante de papel e manipulação. Sou um pastor, mas não me permito ter rebanho. Quero que todos que vierem a mim, virem ovelhas livres. Se não tiverem condições, que virem ovelhas de outros, não minhas.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Natal, Natal, Natal
Já gostei mais do natal... não que não goste hoje, mas enxergo-o de maneira diferente do que a 15 anos atrás... A 15, talvez 20 anos atrás, o natal simplesmente chegava. Reuniamos a família, festejávamos, ganhavamos presentes, fingiamos que ainda acreditávamos em papai noel.
Depois que me tornei adulto, o natal começou a perder um pouco do sentido. Falamos em tempos de paz, em que devemos nos abraçar, em que o espírito natalino nos torna pessoas melhores, mais humanas, amigas, honestas... mandamos cartões desejando boas festas aos próximos, e até aos não tão próximos... Vemos filmes de Jesus, de papai noel, de milagres, de anjos...
Então, tomado pelo maravilhoso espírito natalino, resolvemos sair as ruas. Então o espírito da realidade, o espírito de porco toma conta.
Logo, você pensa que é páscoa, pela via crucis a ser feita. E a via crucis hoje tem outro nome, trânsito. De cara, engarrafamento. Se você quer estacionar, não tem vaga, se quer sair, ninguém dá espaço. E o tal de espírito de solidariedade? Ah, esqueci, era coisa do filme que assistimos na noite anterior. Pessoas acotovelam-se nos corredores dos supermercados. Quase se matam para conseguir o melhor peru, chester, ou o que for. Depois vão a igreja escutar o padre falando sobre dar a tunica, se pedirem o manto. E resolver ofertar o melhor peru para a pessoa do lado? Nem pensar, e o que meus amigos e familiares vão falar se o meu peru não for o melhor?
Pensa o malandro, vou ficar perto da velhinha, vai ser fácil pegar o melhor peru. Pobre engano. Até a pobre velhinha, indefesa durante o ano, torna-se um leão na luta pela melhor ceia.
E os presentes?! Não esqueçamos dos presentes, afinal, natal não é natal sem presentes, afinal, comemora-se a vinda do papai noel (era isso mesmo? bom acho que era). Aquele bom velhinho com roupas de veludo e lã, puxado por um trenó de neve, por renas. Tipico traje brasuca, para o calor de 32 graus que fez hoje.
Ah, esqueci! Há sempre o momento redenção dos pecados, onde doamos algo velho, ou barato (sim, porque se for bom e caro, não sou trouxa de dar para os outros) para uma criancinha necessitada. O resto do ano ela que se lixe, mas no natal, ela tem que ser feliz e eu tenho que me redimir dos meus pecados. Deus tá olhando, logo, faço uma doação, e um sinal da cruz depois, que é pra ter certeza que Deus não vai esquecer que doei. Mas claro, não podemos esquecer o aniversariante do dia. Jesus. Sim, aquele dos pastores, que nasceu na manjedoura(ou será mangedoura, nunca sei), com a tal da estrela, os reis, os anjos. O salvador. Que veio ao mundo pregar o fim da hipocrisia (afinal, se resolvermos realmente entender o que Jesus pregou, iremos descobrir que o que ele mais fez foi pregar contra a hipocrisia). Legal, esse cara era bom. Se todos fossemos como ele, o mundo seria melhor. Se esse filho da p*** que tá com o carro parado na minha frente andasse, o mundo seria melhor. Aliás, se esse cara não existisse o mundo seria melhor. Aliás, se esse monte de gente não existisse o mundo seria melhor.
E é assim, que ano após ano, tenho visto o natal. Uma época fantástica em que as pessoas se tornam melhores, e que o espírito de natal reina, trazendo um ano novo com muitas realizações de sonhos (IPTU, IPVA, IRPF, IRPJ...........). E certamente, 2010 será muito melhor que 2009, até porque, se piorar, fica difícil.
Abraços e espero que essa mensagem de natal não seja desanimadora, mas sim, ponto de início para uma reflexão do que fazemos com nós mesmos.
Depois que me tornei adulto, o natal começou a perder um pouco do sentido. Falamos em tempos de paz, em que devemos nos abraçar, em que o espírito natalino nos torna pessoas melhores, mais humanas, amigas, honestas... mandamos cartões desejando boas festas aos próximos, e até aos não tão próximos... Vemos filmes de Jesus, de papai noel, de milagres, de anjos...
Então, tomado pelo maravilhoso espírito natalino, resolvemos sair as ruas. Então o espírito da realidade, o espírito de porco toma conta.
Logo, você pensa que é páscoa, pela via crucis a ser feita. E a via crucis hoje tem outro nome, trânsito. De cara, engarrafamento. Se você quer estacionar, não tem vaga, se quer sair, ninguém dá espaço. E o tal de espírito de solidariedade? Ah, esqueci, era coisa do filme que assistimos na noite anterior. Pessoas acotovelam-se nos corredores dos supermercados. Quase se matam para conseguir o melhor peru, chester, ou o que for. Depois vão a igreja escutar o padre falando sobre dar a tunica, se pedirem o manto. E resolver ofertar o melhor peru para a pessoa do lado? Nem pensar, e o que meus amigos e familiares vão falar se o meu peru não for o melhor?
Pensa o malandro, vou ficar perto da velhinha, vai ser fácil pegar o melhor peru. Pobre engano. Até a pobre velhinha, indefesa durante o ano, torna-se um leão na luta pela melhor ceia.
E os presentes?! Não esqueçamos dos presentes, afinal, natal não é natal sem presentes, afinal, comemora-se a vinda do papai noel (era isso mesmo? bom acho que era). Aquele bom velhinho com roupas de veludo e lã, puxado por um trenó de neve, por renas. Tipico traje brasuca, para o calor de 32 graus que fez hoje.
Ah, esqueci! Há sempre o momento redenção dos pecados, onde doamos algo velho, ou barato (sim, porque se for bom e caro, não sou trouxa de dar para os outros) para uma criancinha necessitada. O resto do ano ela que se lixe, mas no natal, ela tem que ser feliz e eu tenho que me redimir dos meus pecados. Deus tá olhando, logo, faço uma doação, e um sinal da cruz depois, que é pra ter certeza que Deus não vai esquecer que doei. Mas claro, não podemos esquecer o aniversariante do dia. Jesus. Sim, aquele dos pastores, que nasceu na manjedoura(ou será mangedoura, nunca sei), com a tal da estrela, os reis, os anjos. O salvador. Que veio ao mundo pregar o fim da hipocrisia (afinal, se resolvermos realmente entender o que Jesus pregou, iremos descobrir que o que ele mais fez foi pregar contra a hipocrisia). Legal, esse cara era bom. Se todos fossemos como ele, o mundo seria melhor. Se esse filho da p*** que tá com o carro parado na minha frente andasse, o mundo seria melhor. Aliás, se esse cara não existisse o mundo seria melhor. Aliás, se esse monte de gente não existisse o mundo seria melhor.
E é assim, que ano após ano, tenho visto o natal. Uma época fantástica em que as pessoas se tornam melhores, e que o espírito de natal reina, trazendo um ano novo com muitas realizações de sonhos (IPTU, IPVA, IRPF, IRPJ...........). E certamente, 2010 será muito melhor que 2009, até porque, se piorar, fica difícil.
Abraços e espero que essa mensagem de natal não seja desanimadora, mas sim, ponto de início para uma reflexão do que fazemos com nós mesmos.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Nada mudou
Nada mudou... nada nunca muda.... por mais que pareça que muda, nada muda. Tudo continua exatamente igual, numa inércia que parece incapaz de ser quebrada. Ainda bem, se mudar, teremos q abrir mão, renunciar.
Toda mudança exige renúncia, exige separação, exige dor. A inércia exige apenas paciência, compreensão e preguiça. Talvez por isso não mudamos, pela preguiça.
Somos preguiçosos natos. Somos gatos vadios, dormindo ao sol da primavera. Enquanto os campos florecem, os parques se enchem de alegria, a vida passa arrastando consigo os anos que nos levam a juventude, e continuamos nessa janela, deitados, preguiçosos, olhando as pessoas correndo e tentando se esconder desse mesmo tempo.
Aceitamos com passividade a chegada do verão, o calor que aumenta ainda mais nossa preguiça, que nos deixa moles de vontade. Lentamente, movemos a cabeça apenas para acompanhar pessoas migrando para praias, aglomerando-se nas compras de natal, festas, férias, boates, barzinhos, caminhadas.... ufa... cansamos só de olhar.
O outono prova que a mudança traz dor, e pensamos carinhosamente no nosso tédio. As árvores floridas já estão nuas, tremendo aos primeiros ventos frios. As praças não estão mais tão cheias, e as pessoas murcham, como as flores, e caem, como as folhas. A vida prepara-se para o inverno, e nós simplesmente fechamos o vidro, mas continuamos observando tudo.
E chega o frio. Cortante do inverno. Com lareiras acolhedoras, aquecedores amados, já esquecidos a algum tempo. As pessoas, guardando suas excessões, esperam impacientemente a primavera, e suas flores, seus cheiros, suas cores. E nós continuamos observando.
Por isso somos tão fortes, eu e tu. Pois aceitamos o tempo, não fugimos dele.
Ainda lembro como hoje, suas mãos geladas, a tremedeira e a voz embaralhada. E elas não mudaram. Mesmo com a chegada do verão, continuam geladas, embora a voz não embaralhe e não tremas mais. Mas também não mudei, minhas mãos continuam quentes, prontas para receber as tuas. Por isso continuamos assim, olhando pela janela, juntos, enquanto os outros correm em busca do que está bem diante de seus olhos.
Nem sempre buscamos a felicidade correndo atrás dela. Muitas vezes é necessários sentar e esperar ela passar pela janela.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Viva o sofrimento!
Me solidarizo com os que sofrem. Isso é algo que tenho notado há um bom tempo. Gosto dos que sofrem. Normalmente gênios sofrem. Apenas quem se dá conta da realidade ao seu redor sofre.
Mas veja bem, gosto de quem sofre, mas é forte. O sofrimento dos fracos não me acrescenta. Sofrer quando não se tem força, é normal. Sofrer sendo forte é uma benção.
Também não falo de sofrimentos físicos, nem de ser triste, ou coisa parecida. Mas sim o sofrimento inquietante que não admite a estagnação. Não admite a inércia. O sofrimento de ver o mundo ser tão miserável e não aceitar. Não deveríamos aceitar. Infelizmente somos criados para aceitar, mas não deveríamos. Deveríamos resistir, e resistir é sinônimo de sofrer.
Sofrer é viver. É sentir a vida em sua intensidade. A dor faz sentirmos a vida. Viver dói. O bebê chora quando nasce porque dói. Dói muito nascer. A vida é no sua gênese sofrimento.
Para mim não existe nada mais intenso que a loucura de Nitzsche, que o sofrimento de Kafka, que os horrores vividos por Dostoiévski na prisão. Esse sofrimento transformou-os nos maiores pensadores/escritores da história. Fez com que atingissem uma profundidade quase mortal da própria existência.
O sofrimento pode nos tornar fortes. O sofrer, quando bem aproveitado, nos torna mais resistentes. Só, temos que cuidar, para não nos tornarmos duros. Já dizia Che, "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás." Temos que sofrer com sorriso nos lábios, como o soldado que corre em direção a morte com o sorriso da lembrança da mulher amada. Sofrer sem perder a doçura. Sofrer lutando contra aquilo que nos causa a dor, mesmo estando consciente de que a dor nunca vai acabar.
E morrer, felizes como quem espera os aplausos após a peça da vida acabar.
Mas veja bem, gosto de quem sofre, mas é forte. O sofrimento dos fracos não me acrescenta. Sofrer quando não se tem força, é normal. Sofrer sendo forte é uma benção.
Também não falo de sofrimentos físicos, nem de ser triste, ou coisa parecida. Mas sim o sofrimento inquietante que não admite a estagnação. Não admite a inércia. O sofrimento de ver o mundo ser tão miserável e não aceitar. Não deveríamos aceitar. Infelizmente somos criados para aceitar, mas não deveríamos. Deveríamos resistir, e resistir é sinônimo de sofrer.
Sofrer é viver. É sentir a vida em sua intensidade. A dor faz sentirmos a vida. Viver dói. O bebê chora quando nasce porque dói. Dói muito nascer. A vida é no sua gênese sofrimento.
Para mim não existe nada mais intenso que a loucura de Nitzsche, que o sofrimento de Kafka, que os horrores vividos por Dostoiévski na prisão. Esse sofrimento transformou-os nos maiores pensadores/escritores da história. Fez com que atingissem uma profundidade quase mortal da própria existência.
O sofrimento pode nos tornar fortes. O sofrer, quando bem aproveitado, nos torna mais resistentes. Só, temos que cuidar, para não nos tornarmos duros. Já dizia Che, "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás." Temos que sofrer com sorriso nos lábios, como o soldado que corre em direção a morte com o sorriso da lembrança da mulher amada. Sofrer sem perder a doçura. Sofrer lutando contra aquilo que nos causa a dor, mesmo estando consciente de que a dor nunca vai acabar.
E morrer, felizes como quem espera os aplausos após a peça da vida acabar.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Ironia
Caminhava eu, sexta-feira a noite, pelas ruas do centro de Porto Alegre, quando paro para atravessar em um semáforo, ao que escuto a conversa de dois senhores dentro de um bar. Filosofavam, claramente alcoolizados. Ao que o primeiro, em meio aos devaneios filosóficos fala:
- Cara, tem coisa mais chata que bêbado?
Ao que o outro responde, com a voz arrastada pelo efeito do álcool.
- Pior que não. Se tivesse algum por aqui, eu cag*** a pau.
E o primeiro afirma:
- E eu ajudava.
Comecei a rir, e fui até o hotel rindo. Quando cheguei, o recepcionista pediu do que eu estava rindo, e tive que responder:
- De mim mesmo.
Ele sorriu meio que sem entender, e me entregou a chave. E fui para o quarto pensando quantas vezes não consigo me enchergar, mesmo sem álcool, e mesmo na frente do espelho.
- Cara, tem coisa mais chata que bêbado?
Ao que o outro responde, com a voz arrastada pelo efeito do álcool.
- Pior que não. Se tivesse algum por aqui, eu cag*** a pau.
E o primeiro afirma:
- E eu ajudava.
Comecei a rir, e fui até o hotel rindo. Quando cheguei, o recepcionista pediu do que eu estava rindo, e tive que responder:
- De mim mesmo.
Ele sorriu meio que sem entender, e me entregou a chave. E fui para o quarto pensando quantas vezes não consigo me enchergar, mesmo sem álcool, e mesmo na frente do espelho.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Oportunidades
Pessoas clamam por oportunidades. O que mais se houve falar é que faltam oportunidades. Se eu fosse Deus, daria oportunidade a todos. Garanto que a maioria não aproveitaria, e voltaria a clamar eternamente por algo que teve, perdeu, e se tivesse denovo, novamente não daria valor.
O pior cego não é o que não quer ver, mas sim o que quer ver, ganha os óculos e não usa.
O pior cego não é o que não quer ver, mas sim o que quer ver, ganha os óculos e não usa.
Minha indignação me fez voltar
Minha indignação com as pessoas me fez voltar. Havia parado de escrever pois achava inútil. O retorno era pouco. Algumas poucas pessoas (felizmente pessoas que estão acima das minhas críticas pela sua inteligência e cultura) liam e me davam algum retorno. Porém, continuarei a escrever, pois pelo menos a saúde do meu fígado melhora a cada linha que escrevo.
Veja um exemplo de pequenez das pessoas. Parece algo simples, mas são atitudes assim que fazem o mundo um pouquinho pior a cada dia.
Conheço uma pessoa que se dedica integralmente ao trabalho. Essa pessoa faz de tudo para que o seu patrão economize dinheiro, aumente lucros, esteja confortável no seu local de trabalho. Eu sei o que esforça-se essa pessoa para desempenhar um trabalho, que na minha opinião é perfeito. Eu sei, como empresário, como é difícil achar um colaborador, alguém que vista a camiseta, e se importe realmente com a empresa.
Pois bem, legalmente essa pessoa tem direito a 30 dias de férias anuais. Correto, justo. Essa pessoa, importando-se com a empresa na qual trabalha, sabendo que é díficil ficar fora tanto tempo, comentou que precisaria de 15 dias de férias(isso após 2 anos de trabalho ininterrupto, a não ser por fériados). Apenas 15 dias para poder fazer uma viagem. 15 dias de descanço da labuta diária. 15 dias para lembrar que é um ser humano, que pode divertir-se, que pode conhecer lugares diferentes, pessoas diferentes, comer coisas diferentes. 15 dias para realmente ver se existe um mundo lá fora.
Após toda essa dedicação a resposta foi um sim, mas pedindo que desse um jeito de reduzir esse número de dias e que tem que coincidir com o feriado de carnaval.
Ora, é fácil para o patrão, alguém que ganha uma fortuna por mês, e paga uma miséria de soldo para ela, dizer para viajar no carnaval. Sim, ele viaja quando quer, para o lugar que quer. O seu dinheiro ganho honestamente (isso pode ser contestado) dá para viajar e ficar onde quiser na época que quiser.
No carnaval sabemos que tudo é mais caro. Hospedagem, alimentação. As estradas estão cheias. Não para quem tem dinheiro para pegar um avião e ir para onde quiser, mas para quem quer fazer 2.000km de moto é um dificultador.
Mas, a lei diz que o funcionário tem direito a 30 dias, mas não diz quando, então, esse patrão, defendido pela lei, usa dela para dar de ombros a quem o auxilia diariamente. E acha-se justo, afinal está sendo bom em dar alguns dias de descanço.
Não lembra-se ele nesse momento de tudo que a funcionária faz além de suas obrigações funcionais. Não lembra-se que assina a carteira com valor abaixo do vencimento real, para pagar menos imposto (Sim, uma pessoa que ganha R$50.000,00 por mês preocupa-se em sonegar 50 reais de imposto mensais).
Pessoas assim em dão nojo. Tenho asco desse tipo de ser humano. Pessoas assim é que fazem do nosso mundo um inferno cada vez mais quente.
Marco Antonio Oselame
Veja um exemplo de pequenez das pessoas. Parece algo simples, mas são atitudes assim que fazem o mundo um pouquinho pior a cada dia.
Conheço uma pessoa que se dedica integralmente ao trabalho. Essa pessoa faz de tudo para que o seu patrão economize dinheiro, aumente lucros, esteja confortável no seu local de trabalho. Eu sei o que esforça-se essa pessoa para desempenhar um trabalho, que na minha opinião é perfeito. Eu sei, como empresário, como é difícil achar um colaborador, alguém que vista a camiseta, e se importe realmente com a empresa.
Pois bem, legalmente essa pessoa tem direito a 30 dias de férias anuais. Correto, justo. Essa pessoa, importando-se com a empresa na qual trabalha, sabendo que é díficil ficar fora tanto tempo, comentou que precisaria de 15 dias de férias(isso após 2 anos de trabalho ininterrupto, a não ser por fériados). Apenas 15 dias para poder fazer uma viagem. 15 dias de descanço da labuta diária. 15 dias para lembrar que é um ser humano, que pode divertir-se, que pode conhecer lugares diferentes, pessoas diferentes, comer coisas diferentes. 15 dias para realmente ver se existe um mundo lá fora.
Após toda essa dedicação a resposta foi um sim, mas pedindo que desse um jeito de reduzir esse número de dias e que tem que coincidir com o feriado de carnaval.
Ora, é fácil para o patrão, alguém que ganha uma fortuna por mês, e paga uma miséria de soldo para ela, dizer para viajar no carnaval. Sim, ele viaja quando quer, para o lugar que quer. O seu dinheiro ganho honestamente (isso pode ser contestado) dá para viajar e ficar onde quiser na época que quiser.
No carnaval sabemos que tudo é mais caro. Hospedagem, alimentação. As estradas estão cheias. Não para quem tem dinheiro para pegar um avião e ir para onde quiser, mas para quem quer fazer 2.000km de moto é um dificultador.
Mas, a lei diz que o funcionário tem direito a 30 dias, mas não diz quando, então, esse patrão, defendido pela lei, usa dela para dar de ombros a quem o auxilia diariamente. E acha-se justo, afinal está sendo bom em dar alguns dias de descanço.
Não lembra-se ele nesse momento de tudo que a funcionária faz além de suas obrigações funcionais. Não lembra-se que assina a carteira com valor abaixo do vencimento real, para pagar menos imposto (Sim, uma pessoa que ganha R$50.000,00 por mês preocupa-se em sonegar 50 reais de imposto mensais).
Pessoas assim em dão nojo. Tenho asco desse tipo de ser humano. Pessoas assim é que fazem do nosso mundo um inferno cada vez mais quente.
Marco Antonio Oselame
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Adeus Jacko!!!
Dificilmente me deixo abater por causa de morte. Acho que é um processo natural, nascemos, crescemos e morremos. Prefiro me preocupar com os vivos, já que estes realmente posso ser útil.
Mas hoje, escutando o Pretinho Básico da rádio Atlântida, ouvi a notícia que supostamente Michael Jackson havia morrido. Começou com uma gozação, piadinha, sem muita atenção. Esse clima foi dando lugar a um silêncio grande. No programa que se seguiu, Alexandre Fetter, que comand o Discorama, disparou apenas músicas do Michael.
Aquilo foi me dando um aperto no peito. Lembro-me, criancinha, assistia os clipes dele. Assisti o seriado Jackson Five. Na época ainda não me dava conta do tamanho fenômeno que era Michael Jackson. Ao escutar as músicas seguidas, comecei a lembrar que sem me dar conta, acompanhei boa parte da carreira de Michael, seu grande sucesso, a coroação de grande Rei do Pop, as polêmicas que envolveram sua vida, a decadência como músico, o fim como ser humano.
Jacko nos últimos tempos era um trapo. Sofria de sérios problemas de saúde, tanto física como mental.
Me machucava muito ver Michael no estado que se encontrava, envolvido com polêmicas, doente. Não gostava.
Então, no início desse ano a grande notícia. Michael Jackson voltaria. Ingressos para 50 shows esgotados em 6 horas. Vi que não era único, como eu, uma multidão torcia, pedia, orava pela volta do Gênio. E era um Gênio. Tinha sérios problemas, mas nunca deixou de ser genial. E hoje, essa notícia de sua morte.
Dura, amarga notícia, mas com um pouco de consolo em saber que talvez, se tivesse feito esses shows, pessoas criticariam. Certamente esqueceriamos que era um ser humano tentando se reerguer, e diriamos que já não era mais o mesmo, que já foi melhor, que estava decadente. Salvou-se de nossa injusta vaia.
Foi embora, com nossos aplausos, e a lembrança de que jamais existirá nada com o mesmo significado que ele teve na sua época aurea.
Hoje, com certeza, o mundo perdeu um de seus maiores artistas. Hoje, o mundo fica um pouco mais silencioso.
Mas hoje, escutando o Pretinho Básico da rádio Atlântida, ouvi a notícia que supostamente Michael Jackson havia morrido. Começou com uma gozação, piadinha, sem muita atenção. Esse clima foi dando lugar a um silêncio grande. No programa que se seguiu, Alexandre Fetter, que comand o Discorama, disparou apenas músicas do Michael.
Aquilo foi me dando um aperto no peito. Lembro-me, criancinha, assistia os clipes dele. Assisti o seriado Jackson Five. Na época ainda não me dava conta do tamanho fenômeno que era Michael Jackson. Ao escutar as músicas seguidas, comecei a lembrar que sem me dar conta, acompanhei boa parte da carreira de Michael, seu grande sucesso, a coroação de grande Rei do Pop, as polêmicas que envolveram sua vida, a decadência como músico, o fim como ser humano.
Jacko nos últimos tempos era um trapo. Sofria de sérios problemas de saúde, tanto física como mental.
Me machucava muito ver Michael no estado que se encontrava, envolvido com polêmicas, doente. Não gostava.
Então, no início desse ano a grande notícia. Michael Jackson voltaria. Ingressos para 50 shows esgotados em 6 horas. Vi que não era único, como eu, uma multidão torcia, pedia, orava pela volta do Gênio. E era um Gênio. Tinha sérios problemas, mas nunca deixou de ser genial. E hoje, essa notícia de sua morte.
Dura, amarga notícia, mas com um pouco de consolo em saber que talvez, se tivesse feito esses shows, pessoas criticariam. Certamente esqueceriamos que era um ser humano tentando se reerguer, e diriamos que já não era mais o mesmo, que já foi melhor, que estava decadente. Salvou-se de nossa injusta vaia.
Foi embora, com nossos aplausos, e a lembrança de que jamais existirá nada com o mesmo significado que ele teve na sua época aurea.
Hoje, com certeza, o mundo perdeu um de seus maiores artistas. Hoje, o mundo fica um pouco mais silencioso.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Revolta
Tenho dois gatos em casa. Minha vizinha do apartamento de cima tinha uma cadela, que aprendemos a gostar devido aos anos de convivência. Tinhamos ela quase como nossa. Quando a vizinha viajava, deixava conosco a responsabilidade de alimentá-la e limpar sua sujeira. Era muito bem cuidada, limpa, bem alimentada, bem tratada, não latia a noite, era educada. Não incomodava ninguém.
Tinha, pois ela morreu essa noite. "Provável envenenamento". Provável pois não posso acusar ninguém, logo, ela mesmo pode ter cometido suicídio, envenenando-se. Acredito que não o faria, pois como disse, era bem cuidada e com certeza não tinha depressão. E vivia dentro das grades do nosso terreno, não podendo sair para comprar o veneno. Mas isso não foi o que mais me revoltou. Um dos meus gatos, ontem, por incrível coincidência, foi espancado. Quebraram-lhe o maxilar, pelo menos metade dos dentes. Hoje ele passou por uma cirurgia de urgência, para tentar, veja bem, tentar reconstituir a boca do bichinho. Também não incomoda ninguém. Tem comida e água dentro de casa. Faz suas necessidades todas na caixa de areia na área de serviço da minha casa. Dorme dentro de casa. De tarde dá uma voltinha com sua irmã, que também é minha, mas quando chego em casa as 18hs, eles sempre vem me receber com seus miados, e sua alegria.
Se isso não fosse bastante, quando vi a situação do meu gato, ontem as 22hs, quando cheguei da aula, tentei entrar em contato com no mínimo 10 veterinários. Sem exagero, foi bem mais que isso. Quase todos com seus celulares desligados. Conseguimos falar com 3. O primeiro nos cobraria R$ 100,00 reais para receber o gato, mas teriamos que pagar adiantado. Eu disse pra ele que não teria como arranjar o dinheiro esse horário da noite, já que os caixas eletrônicos aqui na cidade só funcionam até as 20hs, logo, ele disse que não poderia atender. Outro não nos deu muita bola, dizendo que não tinha como atender. E a última, até nos deu um pouco de atenção, mas repentinamente a ligação caiu, e não conseguimos mais falar com ela.
Então lembrei de um grande amigo meu, pessoa excepcional, ser humano, médico veterinário, que não trabalha aqui na cidade, mas que por acaso, estava na cidade nessa noite. Liguei, e ele prontamente se dispos a vir olhar meu gato. Atendeu ele sem luvas e sem aparelhagem, pois não estava com seus materiais, mesmo assim colocou a mão no sangue e diagnosticou as fraturas multiplas na boca do gato. Medicou o gato com alguns remédios pra dor que eu tinha em casa, para minha dor no citático e me recomendou uma veterinária para eu levar o gato hoje de manhã.
Infelizmente minha vizinha não teve a mesma sorte. A cadela dela faleceu porque ela não conseguiu um veterinário para atender a cadela.
Isso me causou muita revolta e me fez procurar o juramento dos veterinários que segue abaixo.
JURAMENTO DO MÉDICO VETERINÁRIO:
Sob a proteção de Deus PROMETO que, no exercício da Medicina Veterinária, cumprirei os dispositivos legais e normativos, com especial atenção ao Código de Ética, sempre buscando uma harmonização perfeita entre ciência e arte, para tanto aplicando os conhecimentos científicos e técnicos em benefício da prevenção e cura de doenças animais, tendo como objetivo o Homem.
E prometo tudo isso fazer, com o máximo respeito à ordem pública e aos bons costumes, mantendo o mais estrito segredo profissional das informações de qualquer ordem, que, como profissional tenha eu visto, ouvido ou lido, em qualquer circunstância em que esteja exercendo a profissão. Assim o prometo.
Tinha, pois ela morreu essa noite. "Provável envenenamento". Provável pois não posso acusar ninguém, logo, ela mesmo pode ter cometido suicídio, envenenando-se. Acredito que não o faria, pois como disse, era bem cuidada e com certeza não tinha depressão. E vivia dentro das grades do nosso terreno, não podendo sair para comprar o veneno. Mas isso não foi o que mais me revoltou. Um dos meus gatos, ontem, por incrível coincidência, foi espancado. Quebraram-lhe o maxilar, pelo menos metade dos dentes. Hoje ele passou por uma cirurgia de urgência, para tentar, veja bem, tentar reconstituir a boca do bichinho. Também não incomoda ninguém. Tem comida e água dentro de casa. Faz suas necessidades todas na caixa de areia na área de serviço da minha casa. Dorme dentro de casa. De tarde dá uma voltinha com sua irmã, que também é minha, mas quando chego em casa as 18hs, eles sempre vem me receber com seus miados, e sua alegria.
Se isso não fosse bastante, quando vi a situação do meu gato, ontem as 22hs, quando cheguei da aula, tentei entrar em contato com no mínimo 10 veterinários. Sem exagero, foi bem mais que isso. Quase todos com seus celulares desligados. Conseguimos falar com 3. O primeiro nos cobraria R$ 100,00 reais para receber o gato, mas teriamos que pagar adiantado. Eu disse pra ele que não teria como arranjar o dinheiro esse horário da noite, já que os caixas eletrônicos aqui na cidade só funcionam até as 20hs, logo, ele disse que não poderia atender. Outro não nos deu muita bola, dizendo que não tinha como atender. E a última, até nos deu um pouco de atenção, mas repentinamente a ligação caiu, e não conseguimos mais falar com ela.
Então lembrei de um grande amigo meu, pessoa excepcional, ser humano, médico veterinário, que não trabalha aqui na cidade, mas que por acaso, estava na cidade nessa noite. Liguei, e ele prontamente se dispos a vir olhar meu gato. Atendeu ele sem luvas e sem aparelhagem, pois não estava com seus materiais, mesmo assim colocou a mão no sangue e diagnosticou as fraturas multiplas na boca do gato. Medicou o gato com alguns remédios pra dor que eu tinha em casa, para minha dor no citático e me recomendou uma veterinária para eu levar o gato hoje de manhã.
Infelizmente minha vizinha não teve a mesma sorte. A cadela dela faleceu porque ela não conseguiu um veterinário para atender a cadela.
Isso me causou muita revolta e me fez procurar o juramento dos veterinários que segue abaixo.
JURAMENTO DO MÉDICO VETERINÁRIO:
Sob a proteção de Deus PROMETO que, no exercício da Medicina Veterinária, cumprirei os dispositivos legais e normativos, com especial atenção ao Código de Ética, sempre buscando uma harmonização perfeita entre ciência e arte, para tanto aplicando os conhecimentos científicos e técnicos em benefício da prevenção e cura de doenças animais, tendo como objetivo o Homem.
E prometo tudo isso fazer, com o máximo respeito à ordem pública e aos bons costumes, mantendo o mais estrito segredo profissional das informações de qualquer ordem, que, como profissional tenha eu visto, ouvido ou lido, em qualquer circunstância em que esteja exercendo a profissão. Assim o prometo.
É revoltante que um profissional da importância do médico veterinário, que deveria cuidar da vida, e amar os bichinhos, e fazer de tudo para salvar a vida dos nossos mascotes.
Sei que existem coisas mais importantes. Crianças morrendo de fome, violência crescente, falta de presídios, falta de vergonha na cara de nossos governantes... tenho consciência disso. Mas esses fatos de grande importância, não podem justificar a falta de respeito e a negligência desses ditos profissionais veterinários, que certamente não merecem a honra de um cargo tão importante.
O mundo só vai melhorar apartir do momento em que cada um der o melhor de si em tudo o que faz. Esse fato ocorrido, só me faz perder cada vez mais a fé no mundo, afinal, é nesses pequenos atos que começamos a mudar a nossa sociedade.
Espero que essa minha revolta chegue aos ouvidos de alguém que possa tomar alguma atitude, nem que a atitude seja cobrar do profissional que cuida do seu bichinho de estimação, que ele faça o melhor na sua profissão.
Esse protesto está sendo endereçado a diversas entidades, esperando, sinceramente, alguma atitude.
Marco A. Oselame
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Certo ou Errado?
O mundo só vai começar a melhorar quando as pessoas entenderem que para alguém estar certo, não necessariamente os outros tem que estar errados. (Marco A. Oselame)
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